Cruzeiro na Amazônia, veja como é o Iberostar Grand Amazon

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Acabei de voltar de um cruzeiro pelo rio Solimões a bordo do Iberostar Grand Amazon e vou te contar como foi.

No ano 2000, estava eu felizão da vida lá em Sydney, na Austrália. Nessa época eu morava lá e achava o máximo. Certo dia, durante as Olimpíadas de Sydney, o Brasil tinha ganhado um jogo de vôlei e sai com alguns brasileiros para comemorar em um pub em frente ao ginásio.

Clima de olimpíada é especial! Todo mundo fala com todo mundo. É uma grande festa. Eu estava em uma mesa com a turma do Dartgnan – aquele maluco empolgadíssimo que toca corneta nos jogos de vôlei. Sabe?

Pois é, com ele, sua turma e seus instrumentos e o samba logo começou a rolar.

Comecei a conversar com um australiano e falei que morava lá e adorava a Austrália. Depois de um certo papo, ele lançou uma pergunta que me incomodou durante anos. “Puxa que bacana você estar por aqui do outro lado do mundo, mas já foi para o Pantanal e para Amazônia? Porque eu conheço os dois e são lindos demais. “

Depois de quase um minuto de um silêncio constrangedor, o mané aqui respondeu gaguejando que ainda não conhecia esses lugares.

Pensei muito nisso depois!

Como pode um australiano conhecer o Pantanal e Amazônia e eu não?

Eu nunca mais esqueci daquilo.

Um ano e pouco depois voltei para o Brasil e logo fui passar uma semana intensa em uma fazenda do Pantanal. Experiência incrível, eu adorei! Depois conheci Bonito, a Chapada dos Veadeiros e mais atrações do Brasil.

Mas faltava a floresta mais famosa.

Demorou, mas finalmente estive por lá!

Você tem muitas formas de visitá-la, das mais luxuosas às mais “roots”. Fui em um esquema mais confortável e fiz o cruzeiro no navio Iberostar Grand Amazon.

Nascer do sol do deck do Grand Amazon

Mate uma sexta-feira e uma segunda de trabalho ou aproveite um feriado e vá navegar pelo Solimões. Neste cruzeiro, o embarque acontece na tarde de sexta feira no porto de Manaus e combina bem com um vôo direto da TAM que sai de Guarulhos.

Ah, é bom avisar! Em diversos pontos do rio você fica sem sinal de celular e internet, o que é uma boa para descansar mesmo e focar na viagem e no meio ambiente.

O navio foi construído especialmente para navegar nesta região, que tem uma variação inacreditável no nível das águas. É super confortável, com 5 andares. No andar no nível da água, fica o restaurante. Logo acima, é o andar da recepção e uma espécie de auditório com bar onde acontecem palestras, instruções dos passeios e shows. Nos três andares de cima ficam as cabines, um SPA e a academia. No andar mais alto, fica a área mais gostosa do navio, um bar com muitas mesas e a parte descoberta com o deck, duas piscinas e uma jacuzzi.

O sistema do navio é all inclusive, a comida é saborosa e os peixes da região são servidos de diversas maneiras. Uma delícia.

Depois de navegar a noite toda, o navio atraca no rio Solimões na região do lago Janauacá. Depois de um café reforçado, fomos para as lanchas. Todos de colete e ansiosos para o primeiro contato com a floresta.

As lanchas do navio são grandes, com dois motores bem potentes. Fiquei com vontade de dar uma volta dirigindo.

Lancha Iberostar Grand Amazon

As lanchas saíram em alta velocidade em direção a uma entrada na margem do rio Solimões. Todo o transporte da região é feito pelo rio e passamos por vários barcos que servem de transporte para o pessoal de lá. Vimos também as primeiras casas flutuantes e seguimos em direção aos igarapés mais estreitos. Nessa hora, o barco fica no meio do rio bem estreito e a floresta já é bem fechada nas margens.

Casa Flutuante

Casas

Pronto, eu estava a um ou dois metros da famosa floresta! Emocionante! O guia começa a olhar para as copas das árvores que não estavam tão altas, já que os rios nessa época estão oito metros acima do nível e, segundo o pessoal de lá, ainda vão subir cerca de dois metros. Eu também olhava, mas só conseguia ver muita vegetação e as aves. Pouco tempo, depois o guia faz um sinal ao piloto da lancha que desligou o motor e jogou a lancha para margem. Ninguém consegue manter o silêncio, é muita curiosidade. “O que foi? O que foi? O que você viu?” “Bicho preguiça”, responde o guia. “Onde? Onde?” “Lá ó, lá em cima ao lado da palmeira”. Vi uma bola peluda lá longe, mas já valeu para esquentar e ficar mais atento aos animais.

Um pouco mais para frente, o mesmo procedimento: silêncio, motor desligado, lancha na margem e dessa vez uma iguana enorme, mais nítida e mais perto.  A sensação de ver esses animais selvagens no habitat deles é deliciosa!

E a lancha continuou navegando, um gavião aqui, muitas aves, outra iguana, um bando de macacos fugindo do barulho da lancha no meio da vegetação e, por último, um enorme jacaré tomando sol.

Jacaré

Depois de navegar bastante, voltamos para um braço de rio um pouco mais largo e com mais casas. A idéia desse passeio era conhecer uma família de moradores da região para ver como é a vida de quem mora lá.

Menina

TMenino

Menino Rede PB

Chegamos na casa do Álvaro e da sua família. Eles tem um terreno mais alto, que não alaga. A casa é de madeira e recentemente chegou energia elétrica. Junto com a energia, chegou o sinal de celular e com ele a internet.  Mesmo com o sinal fraco, o filho adolescente do seu Álvaro estava entretido com o celular na varanda.

Família do Alvaro

A experiência foi bem interessante, além de ver como é o dia a dia de quem mora à beira de um rio na selva. Pude provar algumas frutas, pimentas e sucos que eu nunca tinha visto.

De volta ao navio, começou uma maratona deliciosa: experimentar os diferentes peixes da região a cada refeição. O pirarucu, o tucunaré, o surubim e o tambaqui, preparados de diferentes modos.

A tarde saímos de lancha novamente, vimos mais bichos e o grupo em que eu estava foi pescar piranha. Divertidíssima a pesca, a mulherada do barco se destacou e pescou muito. Além da brincadeira, deu para curtir mais a natureza, dessa vez pertinho das vitórias-régias.

Depois de descansar e jantar no navio, chegou a hora de um dos pontos fortes da viagem.

A lancha dessa vez parte à noite. A adrenalina sobe porque o piloto acelera na escuridão e tem troncos, mato e cipós, tudo descendo rapidamente com a correnteza no rio. O guia segue na frente da lancha com um farolete, que é a única luz disponível na lancha. É com esse farolete que o piloto vai vendo e desviando do que tem pela frente.

Quando chegamos aos igarapés da região de Manaquari, a lancha reduz a velocidade e logo percebemos que a atividade na floresta é muito, mas muito maior à noite. E quando o piloto desliga o motor, a parte mais impressionante da viagem. Conheci o som da floresta. Inacreditável, intenso, indescritível!!

E para coroar a noite mais emocionante da viagem, o guia usa o farolete para achar e pegar um filhote de jacaré e trazer para dentro da lancha. Logo depois ele faz o mesmo com uma cobra, que ele desenrola de um tronco.

cobra

jacare

Domingo foi o dia de acordar bem cedo. Quem vai para lá não pode perder o nascer do sol. Então antes mesmo do café, às 5h45, a lancha estava pronta para sair novamente. Dessa vez fomos ver mais natureza nessa hora que o sol está colorindo o céu da Amazônia.

Nascer do Sol

Nascer no rio

Esse dia é agitado, voltamos do nascer do sol, tomamos café e logo saímos novamente de lancha. Esse é o passeio em que o contato com a floresta é sentido na pele, literalmente. Fomos até a região do Manacapuru para fazer uma trilha pela selva.

A aventura já começa para sair da lancha com a margem alagada. Depois, para seguir o guia, é preciso prestar muita atenção para não esbarrar nas palmeiras com espinho, não apoiar nas formigas, não pisar nos buracos do tatu, etc…

Minutos depois, um pouco mais acostumado com as dificuldades para andar na “trilha”, a umidade e o calor forte me fizeram suar tanto que o repelente foi embora. Descobri que os insetos da selva tem a incrível habilidade de picar em cima da calça, da camiseta… uma loucura. Mas também não dá para querer andar na selva sem tomar umas picadas, certo? Faz parte!

A parte boa foi ver as tarântulas saindo da toca, muitas árvores e plantas diferentes. Aprendi a fazer um copo com uma folha para tomar água na selva, a fazer fogo na floresta com o guia, vi os macacos, conheci os coquinhos onde uma larva fica antes de se transformar em vaga-lume. Uma experiência única.

Voltei para o navio e descansei!

O dia estava lindo, fiquei no deck curtindo o sol com o vento.

Como as piscinas e o deck ficam lá em cima no último andar, a vista é sempre bonita e dá para ver longe.

Chegou a última noite do cruzeiro, que é a noite do jantar com o capitão. Esse jantar é ainda mais caprichado, com camarão, lagosta e muitos peixes.

Depois desse jantar, teve um show com os ritmos do Brasil no auditório. Os hóspedes aproveitam o show para se confraternizar, mas ainda não é uma despedida.

Show

No dia seguinte, a sugestão é novamente ver o nascer do sol lá do deck, porque é nessa hora que o navio navega pelo encontro das águas do rio Negro com o rio Solimões. Outro espetáculo da natureza para encerrar a viagem.

E essa foi a vez que eu conheci a Amazônia.

Incentivo todos os leitores a fazerem o mesmo. A Amazônia é brasileira e todos nós deveríamos conhecer e nos orgulhar dela.

Como ir?

Acesse o http://www.thegrandcollection.com/pt

Marcio viajou a convite do Iberostar.



1 comentário

  1. elisabeth machado 20 maio, 2014 at 10:50 Responder

    parabéns Marcio pela reportagem-aventura onde mostrou essa opção de cruzeiro pela região amazônica … num belo navio.
    elisabeth

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