Festival Ver-o-Peso, conheça Belém na época mais gostosa do ano

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Eu ainda não conhecia Belém e aproveitei o Festival Ver-o-Peso de Cozinha Paraense para descobrir os encantos e a maravilhosa gastronomia da cidade.

Não podia ter escolhido ano melhor para ir. Belém completa 400 anos e acaba de receber o título internacional de cidade criativa da Gastronomia.

O Festival Ver-o-Peso já é tradicional e está na décima quarta edição. Criado por Paulo Martins no ano 2000, o festival colocou Belém no mapa da gastronomia.

A primeira atração que eu recomendo é o famoso mercado Ver-o-Peso, cartão postal da cidade. Vá pela manhã, ande pelas diferentes áreas, conheça, prove frutas típicas da região norte e repare na diversidade dos peixes de água doce e salgada que a geografia da região propicia. Compre artesanato feito com sementes, raízes, com palha e com madeira. Tudo muito colorido e original. Não deixe de passar pela parte das farinhas e tire suas dúvidas sobre os diferentes tipos e o método de produção. O paraense é hospitaleiro e atende super bem.

Personagem no Mercado Ver o Peso

Mercado Ver o Peso

Vendedor mostra peixe no Peixes a venda no Mercado Ver o Peso

Vendedor mostra peixe no Peixes a venda no Mercado Ver o Peso

Peixes a venda no Mercado Ver o Peso

Peixes a venda no Mercado Ver o Peso

Mercado Ver o Peso

Mercado Ver o Peso

Mercado Ver o Peso

Mercado Ver o Peso

Há uma outra área bem curiosa onde vendedoras de garrafadas usam da sabedoria dos índios e superstições para preparar verdadeiras poções mágicas que prometem de tudo. Eu vi algumas curiosas: uma para atrair homem, outra para tirar mal olhado, muitas para curar doenças e muito mais. Converse com elas e descubra as várias funções de cada garrafada.

Garrafadas no Mercado Ver o Peso

Garrafadas no Mercado Ver o Peso

Garrafadas no Mercado Ver o Peso

Garrafadas no Mercado Ver o Peso

Almoce peixe frito com açaí no mercado mesmo. Escolha uma das barracas e faça o que me ensinaram por lá. Coma um pedaço do peixe e depois uma colherada de açaí com farinha em cima. Se aceitar essa sugestão, não deixe de me contar o que você achou. Eu adorei.

O Ver-o-Peso tem 388 anos e é uma visita imperdível. De madrugada ao lado do mercado chegam os barcos dos produtores de açaí e dos pescadores. O açaí chega em pequenos barcos abarrotados de cestos cheios do fruto. É impressionante ver o pessoal carregar 3 cestos na cabeça para a rua onde os compradores podem escolher os melhores frutos antes de comprar.

Açaí chega de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Açaí chega de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Açaí chega de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Açaí chega de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Açaí chega de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Açaí chega de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Açaí chega de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Açaí chega de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Ao lado do pessoal do açaí, chegam barcos maiores com peixes de todos os tipos. Os peixes são negociados em balanças espalhadas pelo chão mesmo, em frente aos barcos.

Peixes chegam de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Peixes chegam de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Peixes chegam de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Peixes chegam de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Peixes chegam de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Peixes chegam de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Peixes chegam de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Peixes chegam de madrugada ao Mercado Ver o Peso

Eu achei um programa e tanto ver essa movimentação toda. Vale a pena ficar acordado até de madrugada.

Se der certo de sua viagem coincidir com a época do festival, você vai poder curtir uma programação muito especial.

Um dos eventos do Festival Ver-o-Peso é uma “mistura” muito bacana. Me conta se dá para imaginar um chef de um renomado restaurante europeu, com 2 estrelas Michelin, fazendo o acompanhamento de um prato feito por uma cozinheira que vende sua “boia” na feira do Ver-o-Peso? Pois é! Isso acontece no Jantar das Boieiras.

Só para te dar alguns exemplos do que eu comi nesse jantar especial, o espanhol Pere Planaguma, chef do restaurante Les Cols de Girona, fez o alioli de tucupi que foi o acompanhamento para o arroz de pato da boieira Ivanete Rodrigues. O chef gaúcho Carlos Kristensen, do restaurante Hashi de Porto Alegre, fez um feijão mexido à moda do gaúcho para acompanhar o frito do vaqueiro da boieira Kelly de Castro. O saboroso jantar foi na Estação das Docas, outra atração turística da cidade que você tem que conhecer.

Jantar das Boieiras Docas

Jantar das Boieiras Docas

Jantar das Boieiras Docas

Jantar das Boieiras Docas

Falando em Estação das Docas você deve fazer 3 coisas quando for lá. Tomar um sorvete feito com as frutas da região na sorveteria Cairu, experimentar todas as cervejas da Amazon Beer e almoçar ou jantar no restaurante Lá em Casa.

Estação das Docas em Belém

Estação das Docas em Belém

Salada de feijao santarem com camarao regional do restaurante La em Casa

Salada de feijão Santarem com camarão regional do restaurante La em Casa

Restaurante La em Casa

Restaurante La em Casa

Porco com tucupi preto no restaurante La em Casa

Porco com tucupi preto no restaurante La em Casa

Os chefs convidados para o festival também preparam uma Farofada no meio de uma grande praça cheia de gente. Uma enorme fila se forma em minutos para experimentar os 5 tipos de farofa. Falando em farofa, uma coisa que eu aprendi em Belém é que as farinhas do Pará são demais. Tem uma farinha d’água de Bragança que eu gostei tanto que comprei três sacos para levar para casa. Foi difícil escolher a melhor farofa e bonito de ver elas sendo feitas em panelas enormes em um dia lindo, com música alta no meio de uma praça da cidade.

A parte técnica também é valorizada no festival. Houve um fórum técnico que discutiu a Internacionalização da Gastronomia Amazônica e todos os dias os interessados puderam aprender participando de aulas que os chefs ministraram no shopping da cidade. Com temas variados, cada um na sua especialidade, as aulas estavam sempre cheias.

Mesa Fórum Técnico do Festival

Mesa Fórum Técnico do Festival

Mesa Fórum Técnico do Festival

Mesa Fórum Técnico do Festival

Espaço do festival no shopping

Espaço do festival no shopping

Aula da chef Daniela Martins

Aula da chef Daniela Martins

Aula da chef Daniela Martins

Aula da chef Daniela Martins

Três dessas aulas são especiais, chamadas de Aulas Show e acontecem quando o shopping fecha às 23h, na praça de alimentação. Três nomes de peso da gastronomia brasileira arrastaram centenas de interessados e fãs para essas aulas. Posso lhe assegurar que foi um show mesmo. Aulas transmitidas em um enorme telão para os “alunos” assistirem com atenção todos detalhes. Nessa edição do festival, Alex Atala, Claude Troisgros e Thiago Castanho deram essas aulas e passaram horas atendendo os fãs madrugada a fora.

Aula do chef Alex Atala no festival Ver o Peso

Aula do chef Alex Atala no festival Ver o Peso

Aula do chef Alex Atala no festival Ver o Peso

Aula do chef Alex Atala no festival Ver o Peso

Aula do chef Alex Atala no festival Ver o Peso

Aula do chef Alex Atala no festival Ver o Peso

No mesmo andar do shopping, um mercado do produtor foi montado com produtos da região. Chocolates, pimentas, geleias e o palmito me chamaram a atenção.

Mercado do Produtor

Mercado do Produtor

Mercado do Produtor

Mercado do Produtor

Uma outra experiência interessante que eu tive foi conhecer uma produtora de cacau que faz chocolates e brigadeiros deliciosos a beira do rio. Fui até Santo Antônio do Tauá ver o projeto Maniçobeira, que produz uma massa verde conhecida como maniva, feita com as folhas da maniçoba, uma variação da mandioca com muito mais folhas.

Em Santo Antônio do Tauá vi como é a plantação, a colheita e o beneficiamento das folhas até virarem a maniva. São três dias cozinhando as folhas, colocando água em enormes panelas de hora em hora. Foi gratificante ver como um projeto desse tipo transforma as comunidades locais melhorando a qualidade de vida da população.

Rua em Santo Antonio do Tauá

Rua em Santo Antonio do Tauá

Já em um igarapé na ilha de Combú, entre pés de açaí na Amazônia, o cacau vem se destacando. A dona Nena está ficando famosa pela produção de chocolates que vem sendo usados em restaurantes renomados como o Remanso do Bosque, dos irmãos Castanho, que a descobriram.

Dona Nena

Dona Nena, produtora de cacau na ilha de Combu

Cacau secando

Cacau secando na ilha de Combú no Pará

cacau amazonia

Cacau da ilha de Combú no Pará

Não podia terminar sem contar do que eu comi durante esses dias. Fui em um dos dois Jantares Magnos do festival, onde restaurantes renomados de Belém receberam chefs como Pedro de Artagão, Flávia Quaresma e Alberto Landgraf.

Um dos jantares foi no restaurante Famiglia Sicília. Muito bem executado, com serviço competente e uma harmonização bem conduzida com vinhos uruguaios.

Famiglia Sicilia

Famiglia Sicilia salao

Carne

peixe defumado

Além desse jantar, tive a oportunidade de almoçar no Famiglia Sicília com seu cardápio habitual. Também almocei no restaurante Benjamin, no Santa Chicória e no “Saldosa” Maloca na beira do rio.

No dia que cheguei na cidade, o almoço foi no restaurante Santa Chicória e tive a oportunidade de degustar um menu bem equilibrado, servido pelos chefs Ilca Carmo e Paulo Anijar. Veja nas imagens abaixo e no vídeo o que eu experimentei.

Se você precisa de indicação de onde comer em Belém, pode ir tranquilamente nesses restaurantes que citei acima. Veja no final do vídeo e nas imagens abaixo cada prato delicioso que eu provei.

Belém tem muitas atrações. Vou voltar com certeza! Quero conhecer o famoso Mangal das Garças, que não deu tempo de ir e também fiquei muito curioso para ir até a Ilha de Marajó. Quem sabe no festival do ano que vem!

Marcio viajou à Belém a convite do Festival Ver-o-Peso de Cozinha Paraense.



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